Rock,teatralidade, poesia e VERDADE…

E hoje vamos iniciar as entrevistas com a Banda Palhaço Paranóide. Foram feitas perguntas a cada um dos integrantes e também à banda no geral. 

   

   Vamos começar com o vocalista Guilherme Di França…

 Palhaço Paranóide,  a  banda  que tocará no palco “guerreiros” do Maceió Music Festival nos deu uma entrevista completamente diferenciada mostrando a sua verdadeira essência.     

   Em um momento de descontração num lugar calmo fizemos perguntas a cada um dos integrantes.

Guilherme Di França é vocalista e líder da banda, entusiasmado e sem papas na língua respondeu cada pergunta detalhadamente:

Pazuzu – O que a música representa pra você?

Guilherme – Eu acho que “música” é a principal linguagem, a que não se traduz. Você coloca uma nota “aqui” (gesticulando um instrumento) estando na partitura ou na tablatura alguém lá da Ucrânia pode entender, né? (risos).. É o que não se traduz, é algo acima de qualquer coisa, é o que “não vai morrer” como diz Steve Wonder em uma de suas músicas, ele diz que nós todos vamos morrer porém a música continua.

Pazuzu – Como foi o seu primeiro contato com a música? Como foi esse momento?

Guilherme – Hmm.. meu primeiro contato com a música… Você diz o primeiro contato com algum instrumento musical ou com a música em geral?

Pazuzu – Quando você começou a se descobrir no mundo da música com relação ao seu gosto musical..

Guilherme – Olha, tudo começou quando eu era bem pequeno, com um filme dos Beatles. Eu assisti um filme dos Beatles, não lembro que filme era, só mostrava eles  do pescoço até os pés.. (risos)   Então tinha um cara no filme que vivia perseguindo eles pra pegar seus pertences.. Pegavam até o papel higiênico deles! (risos) Naquele momento eu queria ser um Beatle, uma coisa praticamente impossível, mas também , quem não queria ser um?  Até Ozzy Osbourne queria ser um Beatle. (risos)

Pazuzu – É verdade..

Guilherme –  Então , isso foi o que me chamou atenção pro mundo da música. Eu morava numa família que é meio conservadora e sempre colocavam na cabeça da gente que Rock era uma “coisa do mal” e o que tinha de novidade na mídia era uma coisa muito positiva pro Rock ‘n’ Roll antigamente.  Na família, nos diziam que essas pessoas vendiam suas almas a demônios, eu particularmente não acredito em demônios (risos). Acredito que um demônio seja uma forma simbólica de se fazer medo… aplicar o medo nas pessoas, não acredito mesmo na existência de demônios, isso não significa que eu não acredite em Deus, até ai tudo bem.Então, eram coisas muito negativas que me afastavam do rock, eu era criança e não tinha muita noção, hoje não, hoje eu já tenho noção de que o Rock’n’Roll não é esse “mal” que propagaram no passado. Ainda hoje vejo moleques que vestem a camisa do Kiss ,né?

Anderson – Do restart ! (risos)

Guilherme – Do restart..(risos) nada contra os caras, eles fazem o trabalho deles, mas.. foi isso. Ai depois comecei a me interessar por música, comecei a escutar música clássica, fiquei muito viciado em música clássica e tudo por causa de filme.

 

 

 

“Existia um filme chamado ‘Amadeus‘, que era sobre  Mozart, eu ficava louco pela história, ele era “louco” e foi a partir daí que eu comecei a me interessar por música.”

 

 

 

 

Pazuzu –  Em algumas músicas como “A Rosa e o Vagabundo” é notável que você tem um grande alcance alto nos vocais . Você já fez aula canto pra aprimorar essa técnica? Quais suas influências?

Guilherme – Não, nunca fiz aula de canto.

Pazuzu – Nunca fez!?

Guilherme – Não.. e eu preciso fazer. Eu consultei um fonoaudiólogo porque quando eu cantava eu perdia a voz muito rápido,  então ela disse : “Não tem nada de errado com sua voz, o problema é que você não respira quando está cantando.” O certo seria respirar pra você usar melhor o diafragma, mas então, eu preciso fazer, nunca fiz aula de canto e eu acho que é uma coisa que é necessária pra mim, principalmente pra você ganhar um pouco de técnica, mas eu não tenho essa técnica, é tudo natural, fico até feliz de você ter dito isso.

Enquanto as influências, antigamente eu cantava muito “gritado”,  acho que é porque todo adolescente quando quer montar uma banda de rock ou ele começa com Legião Urbana (pelo menos na minha época era assim)  ou com Nirvana. Eu comecei com Legião Urbana, mas veio o Nirvana e eu fiquei completamente apaixonado pela banda.

Pazuzu –  Renato Russo também gostava do Nirvana.

Guilherme – Sim, mas eu olhava aquela atitude de Kurt Cobain cantando “gritado” nos refrões e pensava : “caramba! Eu preciso fazer isso”, mas não, depois que eu comecei a conhecer outros  vocalistas, outras bandas e principalmente o rock japonês, tem um vocalista do rock japonês que eu acho muito interessante é o Hyde(haido), vocalista do L’arc~en~Ciel, se vocês não conhecem procurem que a banda é muito boa.

O L’arc~en~Ciel foi uma aula pra mim né, de como usar a voz, eu fazia cover de bandas japonesas na época e acho que isso me levou a praticar mais e querer ficar , usar  agudos né…Não sabia que tinha esse dom de usar o agudo, Obrigado. (risos)

Pra quem não conhece o som da banda aqui vai um vídeo…

Pazuzu – E quais as bandas atuais as bandas atuais você vem ouvindo ultimamente? E as antigas?

Guilherme – Caramba, bandas atuais..??

Pazuzu – É, mas pode-se dizer dessa década que passou também.

Guilherme  – Dessa década que passou Oasis é uma delas, acho que é minha banda favorita, que acabou na verdade (risos) se dividiram em duas bandas*³, uma agora só com o Noel e outra só com o Liam..

Eu sou um cara que gosta muito do passado, gosto muito de escutar os Beatles, sou apaixonado, escuto do primeiro ao último disco, gosto muito do Queen, do Led Zeppelin.. Eu gosto também de bandas dos anos 90 como Blur, Oasis, Radiohead..

Pazuzu – Nirvana..?

Guilherme  – Nirvana eu fui deixando um pouco de lado por que eu fui percebendo outras bandas e tal, mas nada contra nirvana ainda gosto muito. O muse é uma banda atual que eu escuto muito, Strokes também..

Pazuzu – Mais pelo lado indie..Guilherme  – É, eu não sei onde é que isso se encaixa na Palhaço Paranóide (risos),mas, é por aí..

Pazuzu – E qual foi o seu primeiro instrumento? A primeira música que tentou tirar nele?

Guilherme – Meu primeiro instrumento foi um violão, DiGiorgio … Eu me lembro que pagava um cara pra me ensinar violão e ele me enrolava, dizia : “Olha, a primeira aula é dedilhado”, ai ficava… Era uma vez por semana, sendo que na outra aula já sabia dedilhar, então eu perguntava ao professor: “e agora?” então ele dizia : “Repita esse dedilhado descendo, agora”(risos) Eu não aguentei mais, comprei uma revistinha e comecei as cifras assim. Até hoje eu não sei tocar violão, eu enrolo (risos).

 A primeira música que eu tentei tirar nele foi uma do Oasis, “Stand By Me”.. Foi aí eu comecei a querer compor músicas porque eu não sabia pegar música dos outros, então comecei a aprender violão compondo as músicas da Palhaço Paranóide e as primeiras que compus nenhuma delas fazem parte, eram infantis até.

Pazuzu – Qual o melhor  vocalista, guitarrista, baixista e baterista que você considera?

Guilherme – Melhor vocalista.. hmm.. é difícil.. eu acho que o.. caramba, essa é complicada, viu (risos) pode ser quem morreu também? (risos)

Pazuzu – Claro, claro..

Guilherme – O Freddie Mercury, acho o melhor vocalista de todos os tempos. 

Guitarrista.. bom, esse pode não ser um guitarrista que faça solos virtuosos e estridentes, mas o timbre dele eu acho fantástico que é o Noel Gallagher(Oasis).

Baixista.. caramba, baixista.. tem um baixista japonês e eu acho esse cara imbatível o nome dele é Tetsu (L’Arc~en~Ciel ), acho que ninguem no mundo se assemelha a ele..

E baterista.. acho que John Bonham ( Led Zeppelin), muitos bateristas que eu gosto tiveram influências dele.

Pazuzu – Qual o melhor show que você já presenciou?

Guilherme – Acho que foi um show dos Engenheiros do Hawai no “falecido” Aeroporco. Que eu presenciei né?

Pazuzu – Exato

Guilherme – Nada de DVD, né?

Pazuzu –  Não, não (risos)

Guilherme – Então, foi esse show mesmo! Estive lá presente.

Pazuzu – O que um vocalista precisa para conquistar a platéia e o público em geral?

Guilherme – Eu sou muito “Liam Gallagher” aí, o vocalista só precisa chegar e fazer o trabalho dele. Tem caras que falam : “poxa, mas esse vocalista fulano de tal, ele não pula no palco”, acho que não precisa isso, acho que as pessoas hoje em dia constroem uma observação que eu as vezes até me assusto . Eu fui para um evento, no SESC, e tinha uns caras que ficavam: “poxa, mas o Guilherme é muito paradão” e isso me fez ficar preocupado. Ficava tanto que eu pensava : “preciso me mexer mais, dar um balanço!”

  Eu acho que o vocalista precisa chegar lá, fazer o show dele, se comunicar com a galera e a galera gostar, tem público pra tudo. Acho que cantar, fazer seu próprio show, tem vocalistas que interagem: “Vamos lá!” , “Vocês agora!”, “ Aqui na parte esquerda..” É uma coisa que, como Humberto Gessinger falou, o Axé trouxe também.. Nada contra o Axé (risos) mas é que depois dele isso foi uma coisa que veio como uma obrigação, “ah eu vou pular”, não acho tão importante pra mim. Eu fico feliz assistindo um show do Strokes na tv, o vocalista é bem apático mesmo, bem parado, mas ele faz o trabalho dele e daquele jeito paradão dele ele consegue me cativar de alguma forma como também me cativa o jeito do Bono Vox . Acho que vai de cada filosofia de banda. A Palhaço Paranóide não é uma banda que a galera vai me ver pulando e tal, mas vou tentar passar um recado para as pessoas que curtem a banda.

Pazuzu – Correto..

Pazuzu  – Muitas lendas como Jimmi Hendrix, Janis Joplin, Jim morrison, Kurt Cobain e recentemente Amy Winehouse, até então esquecida pela mídia, morreram jovens, ambos aos 27 anos e a frase “depois que morre todo mundo vira fã” entrou em contexto novamente. Como voce vê isso? É realmente necessário que o artista morra para chegar a esse nível de consagração?

Guilherme – Não, não é, mas existe um vício aí, eu me lembro na época em que ouve aquele acidente com os Mamonas Assassinas, até minha mãe virou fã depois . Então, parece que quando você morre ganha um brilho maior , por exemplo, o Johann Sebastian Bach é considerado o maior compositor de todos os tempos , tem até uma frase que fala assim : “Quando  Deus quiser escutar alguma música com certeza ele vai chamar Johann Sebastian Bach” e  tipo, Johann Sebastian Bach só ficou realmente conhecido após a sua morte, quando ele era vivo era completamente pobre! Fazia a melhor música do universo pra ninguém, mas pessoas conheciam a música dele, não pagavam o que ele merecia. Não digo que ele fazia música pra ganhar dinheiro, mas a partir da morte  dele ele se tornou uma lenda, até hoje ele é conceituado, antes de Mozart só se falava em Sebastian Bach. Mozart é mais “pop” por ter sido essa figura mítica na questão dele ser o primeiro “aloprado” do mundo da música, foi o primeiro “Amy”, o primeiro “Janis” foi ele.

A questão é que o artista quando morre ele se torna importante para as pessoas que se habitam a ele, sei lá,  eu não sei se eu fico triste com isso ou se até fico feliz por ele ter sido visto de outra forma pelas as pessoas que não davam a mínima pra ele quando estava vivo.

Outro exemplo é a Amy Winehouse, lembro de muitos  carinhas aí que falavam  “porra, é muito ruim o som dela”, “nossa, ela usa drogas pra fazer esse tipo de som”. Quando ela morreu tudo mudou completamente,  agora dizem “wow, é muito bom o som dela”  , “ aquela música lá, Rehab,  muito legal!” algo mais  ou menos assim. Existe um vício nisso e é uma coisa que não vai mudar, não vai mudar mesmo! É o caso do Brisola, era odiado e quando morreu virou herói, mas na época não era. Se morrer mais um político ai da cena vai virar “herói” também (risos). Até o próprio Mário Covas antes de morrer era criticado.

Pazuzu – Até Jesus Cristo..

Guilherme – Jesus Cristo?  É.. Também (risos)

Pazuzu –  E escritores? Você deve ter alguma referência visto que as letras das músicas tem influências da literatura da poesia em geral…

Guilherme – A Palhaço Paranóide é uma banda que está muito ligada com a literatura. Antes de criar a banda eu tinha criado esse personagem chamado “Palhaço Paranóide”. Em entrevista ao G1 eu até disse que fui procurar no dicionário, realmente, eu queria um personagem que levasse o nome ‘Paranoide’ e pra mim esse nome só existia em inglês, em português se fala “paranóico” mas eu não gostava da sonoridade ‘Paranoid’ , então eu fui procurar no dicionário e realmente achei a palavra com um ‘e’ no final e um acento no ‘o’.

Pazuzu – Que agora não tem mais ( acentuação)

Guilherme – Agora não tem mais. Eu não sei se vou tirar o acento , eu gosto do acento de ‘Paranóide’, até porque pode dar uma intensidade maior..

Pazuzu – Como alguem que não quer seguir regras?

Guilherme – Não é nem isso, é pela  intensidade mesmo e também pela história. A gente criou o nome com acento e eu fico meio triste de tirar .Eu sou meio Paulo Coelho, ele não gosta que corrijam algumas palavras, é muito orgulhoso nesse sentido o considero um dos grandes escritores do ramo acadêmico.

O Palhaço Paranóide (personagem) foi criado para o universo chamado “La commedia” que é um  universo que você expõe o que tem por dentro. Para criar esse universo eu me lembrei de vários autores que eu gosto como o Stephen King(A Torre Negra/The Dark Tower), J.R.R Tolkien também, mas eu não queria criar algo muito igual, tipo,  tem a terra média do Tolkien mas tem também o a terra que George Martin criou quando que escreveu “A Guerra dos Tronos” (A Game Of Thrones) um pouco parecido. Eu queria criar algo onde a linguagem desse universo fosse uma coisa meio circense, mas não circense do tipo “Teatro Mágico”, é um circense meio sombrio e não é um sombrio que assusta, não é um sombrio que nós estamos interessados em pregar o “susto” é um sombrio tímido, é um sombrio que ganhou forma a partir do Tim Burton. Antigamente o sombrio era aquilo que “ fazia medo” e o Tim Burton mostrou que não, sombrio é aquela coisa meio tímida. O “lado sombrio” mostrado nos filmes de  Tim Burton é o sombrio daquela pessoa que não quer se mostrar, que não acha que é um bom momento, ela não acha que é um bom momento. Personagens como Edward, interpretado pelo Johnny Depp, como o Jack do filme “O Estranho Mundo de Jack” ( Nightmare Before Christimans) que apesar do mundo em que vivem ser algo meio tenebroso tem alguma coisa ali que cativa, eles não se machucam, entende?  Então, assim, eu sou muito fã desse tipo de literatura como Edgar Allan Poe, Lewis Carrol.. Toda vez que eu leio “ Alice no País das Maravilhas” eu descubro muitas coisas e não é um livro pra crianças só, é um livro pra todo mundo. Os diálogos que tem a partir do momento em que a Alice encontra o Chapeleiro Maluco e a Lebre de Março faz você pensar, repensar.. É cada mensagem que tá ali escondida que eu gostaria de colocar na Palhaço Paranóide, no universo de “La Commedia”.

TO BE CONTINUED…

Roteiro: Victor Tavares

Edição: Paula Barros

MAKE YOUR LIFE!

6 thoughts on “Rock,teatralidade, poesia e VERDADE…

    • É uma banda incrível musicalmente falando e fiquei impressionada com a simplicidade e humildade dos caras. Foi um prazer conhecê-los,se já era fan antes agora sou muito mais. E tudo que é feito com alegria e amor fica bom né? Por isso que a entrevista ficou tão legal. Obrigada pela visita,Pedro. Volte sempre rsrs

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